? Com quantos caminhos se tece uma vida? A paisagem íntima é a única possível de viver, mesmo sobre um chão que ainda sustenta os pés. As histórias de Esboços Naturais deslizam em superfície vítrea, e sem hesitar mergulham nas profundezas trama do tecido da experiência. Tornam o leitor e o narrador cúmplices de uma amálgama: a fantasia e a materialidade das coisas, ou a sempre frustrada abstração ao tentar traçar algum tipo de cartografia das pessoas-paisagens. Descrições meticulosas em um realismo bambo entre estruturas morais e frutos oníricos da loucura, da paixão, do mistério, da indignação e da resignação. A leitura percorre a apoteose cotidiana de ousar desvendar a si e ao mundo, cuja pretensa dissociação é mais prova da sua indissociabilidade do que qualquer distinção categórica entre sonho ou realidade. Rabisca mapas onde a topografia torna-se indefinida assim que a linha ousa ser mais que um rabisco, mas que define rotas e pontos de chegada e partida, sem segundas chances.






